| Título | Data de estreia |
|---|---|
| As irmãs | 11-1924 |
| Serão familiar | 16-01-1926 |
A Escola-teatro, dirigida por Araújo Pereira, com a colaboração de César Porto, teve a sua origem na Escola-Oficina nº1, em Lisboa, bem como num desejo de renovação e dignificação do teatro português, que foi levado a cabo através da introdução de inovações estéticas nos seus espetáculos. Apresentava um reportório construído de maneira independente e em estreita ligação com o seu programa de renovação teatral, composto predominantemente por originais portugueses contemporâneos. A Escola-teatro cessou as suas atividades em 1926; num artigo não identificado, citado na dissertação de Diana Dionísio, pode ler-se acerca desta escola criada por Araújo Pereira: «Os alunos que podiam pagar as lições, pagavam; os que não podiam aprendiam da mesma forma. (...) Um Grupo de Amigos do Teatro Juvénia, mediante uma cota de 5$00 que lhes dava direito a assistir às representações, permitia o mínimo indispensável para se manter o fogo sagrado que animava aquele punhado de vocações» (p. 118); no mesmo artigo, citado nessa dissertação, são enumeradas as «inovações» que Araújo Pereira põe em prática na sua Escola: «Algumas das inovações deveriam ser imitadas: suprimiu o "ponto"; as mudanças de cenários eram feitas no mais rigoroso silêncio; o pano não subia nem descia; a sala obscurecia-se e, de súbito, surgia uma cena iluminada com as personagens nos seus lugares e em plena acção, quando terminava o acto, o palco obscurecia e ficava iluminada a sala; não havia chamadas nem aplausos; os intervalos eram reduzidos a dois, três minutos, pois o que interessava era a peça e não passear pelos corredores» (p. 120); no artigo de Luiz Francisco Rebello, pode ler-se: «A tendência socializante do grupo não lhe permitiu sobreviver à implantação da ditadura fascista consequente ao golpe militar de 28 de Maio de 1926» (p. 408)
Diana Dionísio Monteiro Marques, Um teatro com sentido: A voz crítica de Manuela Porto. Dissertação de Mestrado em Estudos de Teatro, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (2007); artigo de Luiz Francisco Rebello na revista Sinais de Cena (ver «Registos»)