PT EN
Sobre

Oração dos náufragos

Ficha do espetáculo
Apresentações

(1)

Data de Início Data de Fim Local

1877

TNDMII - Teatro Nacional D. Maria II / Theatro de D. Maria II

Registos

(2)

Observações

trancrevemos aqui uma passagem do livro de Augusto Rosa (Recordações da cena e fora da cena, ver descrição no campo Registos)sobre este espectáculo: «(…) Uma noite em que o peçalhão se representava, não havia quase público na sala, o que aliás, devo dizer de passagem, sucedia muitas vezes. A acção desenvolvia-se no começo do século XVIII. As personagens principais eram desempenhadas por: Virgínia, que fazia uma selvagem boa pessoa, Anna Cardoso, Brazão e eu. O meu colega, que nessa noite estava bem disposto, entra pelo fundo direito e diz não sei que frase altamente dramática, em tom estupendamente cómico./ Eu, que era seu rival, desato a rir, colocando-me de costas para o público, para que este se não apercebesse; o Brazão, apesar de ser o autor da brincadeira, perde a seriedade cómica com que disse a tal frase e igualmente desata às gargalhadas, pondo-se também de costas para a plateia. A Virgínia, sentada numa pedra de papelão muito mal feita e vestida de selvagem com muitas penas na cabeça, metia pela boca dentro, para afogar as gargalhadas, um pano de riscas que lhe pendia do peito e que pretendia ser de estilização africana. O Brazão e eu, depois de nos termos insultado, batiamo-nos rindo perdidamente. Anna Cardoso entra em cena a separar os contendores, e, sem saber do que se tratava, perde-se a rir como uma doida e todo o pessoal do teatro, carpinteiros, comparsas de cena e figurantes estavam entre bastidores a rir, a rir como uns perdidos, sem saber de quê. O público que era, como já disse muito pouco, não fez caso algum do que se passou./ Acabou o acto e fomos para os camarins, sem nos podermos encarar uns aos outros a rebolarmo-nos pelo chão num acesso nervoso indescritível, que, só passado algum tempo, serenou um pouco./ Começou o quinto acto e, apenas o Brazão e eu nos encontrámos de novo na cena, pespegámos um no outro uma tremenda gargalhada, continuado assim até ao fim da representação. (...).» [ROSA, 1915, P. 128-129]

Fontes

consultar o campo Registos