Sobre
Ficha do espetáculo
Apresentações

(7)

Data de Início Data de Fim Local

23-11-1882

1883

TNDMII - Teatro Nacional D. Maria II / Theatro de D. Maria II

06-1884

1884

Theatro/ Teatro do Príncipe Real

10-03-1885

10-03-1885

TNDMII - Teatro Nacional D. Maria II / Theatro de D. Maria II

28-07-1887

28-07-1887

Theatro S. Pedro de Alcântara

08-08-1887

08-08-1887

Theatro S. José

22-02-1899

1899

Teatro D. Amélia / Theatro D. Amélia

18-01-1901

18-01-1901

Teatro D. Amélia / Theatro D. Amélia

Registos

(18)

Observações

trata-se da estreia do Othello de William Shakespeare em português, em Lisboa, no Teatro D. Maria II, por uma companhia de teatro profissional; o espectáculo estreou-se na récita em benefício do actor Eduardo Brazão, depois de um adiamento em relação à data prevista, causado pela constipação do actor João Rosa; o projecto partiu do actor Eduardo Brazão, que o preparou durante dois anos, chegando mesmo a deslocar-se a Londres para ver de perto a escola inglesa [SPECTATOR: 1882]; o espectáculo foi montado com inusitado luxo e totalmente a expensas da companhia, já que o Estado só contribuía com a cedência do teatro. As cenas foram pintadas pelo italiano residente em Portugal e colaborador da companhia, Luigi Manini, e figuravam o raiar da madrugada em Veneza, a transparência anilada do céu, colorindo-se pouco a pouco (…); a galeria dos doges, recortando no fundo as suas rendas de pedra; a ilha de Chipre surgindo no seio das ondas; os aposentos do Mouro, de uma opulência principesca, mas severa [CLÁUDIO: 1882]; Eduardo Brazão, na figura do mouro Otelo, deu-nos um estudo shakespeareano consciencioso [SPECTATOR: 1882]; a sua prestação é elogiada pela transformação que imprime à personagem no desenrolar da acção, pela dicção e pela eloquente expressão corporal: No último acto, a entrada de Otelo na alcova conjugal, o seu furor concentrado, a sua expressão lúgubre, o seu olhar incerto, o seu gesto brusco, dá-nos logo a sensação do facto que vai cumprir-se. A voz apavora-nos, o seu olhar tem lampejos que cegam, nas suas mãos hirtas adivinham-se as garras da fera que vai estrangular a pomba. [CLÁUDIO: 1882]; igualmente célebre ficou o desempenho de João Rosa no papel de Iago, havendo desta prestação a memória da maneira como estudou as inflexões para a frase várias vezes dita a Cássio, “- Mete o dinheiro na bolsa!”, correndo até a história de que o afamado actor italiano Emmanuel (com o mesmo espectáculo em cena), ao ver este Otelo que então se apresentava em 1887 no Brasil, terá dito que um Iago representado assim bem podia dar o título à tragédia; Virgínia foi quase perfeita, faltando-lhe perder uma certa hesitação nos primeiros actos. [E]m todo (…) [o] último acto (…) deu uma interpretação muito correcta. Quando Otelo a estrangula, o grito sufocado que lhe sai da garganta comprimida é uma nota perfeita, de uma verdade que chega a arrepiar. Sente-se lá dentro, por detrás das cortinas corridas do leito, toda a tragédia horrível que o espectador acompanha na sua ideia já que seria forte de mais presenciá-la com os seus olhos. [AIRES: 29-11-1882, p. 1]; a sua voz foi unanimamente elogiada, especialmente a maneira como declamou a Canção do Salgueiro; Augusto Rosa no papel de Cássio interpretou com desusado relevo a cena da embriaguez e os restantes actores acompanharam bem; o actor Torres foi propositadamente contratado para o papel de Montano; a tradução, assinada pelo brasileiro e homem de letras, José António de Freitas, foi unanimamente aclamada pelos críticos, resultando em locuções fáceis e numa opulência de vocábulos com um sabor vernáculo sem derivar no escolho dos arcaísmos. [CLÁUDIO: 1882]; o Ministério do Reino enviou à empresa um ofício, louvando-lhe a representação; chegam-nos até hoje imagens que documentam o espectáculo, algumas delas tratadas numa base de dados desenvolvida no âmbito do projecto do Centro de Estudos de Teatro denominado Opsis; a apresentação de 18-01-1901 corresponde à festa artística do actor João Rosa

Fontes

consultar o campo Registos; trabalho "A comédia do teatro de Gervásio Lobato" de Ana de Carvalho, aluna do curso de Mestrado em Estudos de Teatro da FLUL, 2000-2002; Dossier - Arquivo Eduardo Brazão/ cronologia. Presidência do Conselho de Ministros/ Secretaria de Estado da Cultura/ Instituto Português do Património Cultural; ficheiro pessoal de Carlos Porto (crítico de teatro)