Rei Lear
Companhia:
Sociedade Artística [companhia residente do Teatro Nacional D. Maria II/ Almeida Garrett]
Texto:
-
Rei Lear de Júlio Dantas [tradução de King Lear de William Shakespeare ]
Ficha do espetáculo
Ferreira da Silva - Rei Lear
Luz Velloso - Cordalea
Fernando Maia - Conde de Kent
Ângela Pinto - filha ambiciosa de Lear
Augusta Cordeiro - filha ambiciosa de Lear
Ignácio - Bobo do Rei
Luiz Pinto - Edmundo
Augusto de Mello - Conde de Gloucester
Pinto Costa - Rei de França
Apresentações
(1)
| Data de Início | Data de Fim | Local |
|---|---|---|
|
23-12-1904 |
19-01-1905 |
TNDMII - Teatro Nacional D. Maria II / Theatro de D. Maria II |
Registos
(5)
- •«Theatro - primeiras representações - D.Maria - O Rei Lear»in Diário de Notícias(1904-12-24)Rei Lear
- •in O António Maria(1904-12-29)Rei Lear
- •in Illustração Portugueza / Ilustração Portuguesa(1905-01-02)Rei Lear
- •«Informações e reclamos - D. Maria»in Diário de Notícias(1905-01-05)Rei Lear
- •«"Representação do Rei Lear - cap. XXX" in CARTAS DE LISBOA, 1ª série (1904)»in Livraria Clássica Editora(1905-12-31 p.345)por Carlos Malheiro DiasRei Lear
Observações
o texto utilizado é composto em três actos e sete quadros; no artigo de Maria João da Rocha Afonso (referido em fontes) podemos ler o seguinte: "o texto de Júlio Dantas [...]surge mais como uma adaptação dramatúrgica do que propriamente como uma tradução."; ainda no referido artigo, são especificadas algumas das alterações operadas por Júlio Dantas ao texto original - assim: "Júlio Dantas não só uniformiza a linguagem das várias personagens, como faz desaparecer irreverências como 'nuncle' na boca do bobo (...).", a acção do tradutor revela-se ainda "no corte e amálgama de cenas: no primeiro acto, só para citar uma, a cena quatro aparece consideravelmente reduzida.", "cortou algumas falas do bobo, incluindo as canções", "passa para o seu início a conversa entre Goneril e Oswald", "uma das figuras que surge consideravelmente mudada é a figura de Goneril, cuja violência é acentuada", descobre-se ainda nesta tradução uma "tendência moralista", que se reflecte no tratamento dado ao "tema da bastardia, quer no desenho da personagem Goneril", altera também o texto da carta que Goneril envia a Edmund (Acto IV, vi); ainda no artigo de Maria João da Rocha Afonso, podemos ler o seguinte: "A alteração, quanto a mim, mais significativa que Júlio Dantas faz em relação ao texto de Shakespeare situa-se ao nível de um dos temas em que a peça inglesa é mais forte: o estudo da loucura"; ainda segundo esta autora, Júlio Dantas recusa a "Lear" a sua dimensão trágica "para o reduzir à condição de infeliz" traduzindo os versos finais, "I could have saved her!", por uma repetição de "dormindo... dormindo" depois de ter gritado "Podiam-m'a salvar!" - a "Lear" é recusada a sua última tomada de consciência; também Maria do Céu Saraiva Jorge identifica algumas mudanças entre o texto de W. Shakespeare e o de Júlio Dantas (ver fontes) - assim: "Julio Dantas modificou bastante o original. Entre outras alterações, suprimiu a cena tão bela em que Edgar, disfarçado, conduz seu pai cego a Dover. Introduziu um episódio - o do sarau passado no palácio de Goneril." na obra de Matos Sequeira referida em fontes, podemos ler o seguinte: "(...)mas a peça agradou ao escol dos mais cultos. Estes, e não todos, apenas observaram não ter dado resultado a ideia de pôr em verso e drama. E sentenciaram que as rimas o desumanizavam."(p.449); em relação à tradução, Carlos Malheiro Dias (ver fontes) também tem algo a dizer - assim:"Dada a necessidade de abreviar o abundante, prolixo, diffuso diálogo de Shakespeare, parece-me insubsistente qualquer censura, quanto à escolha que o poeta fez do verso alexandrino - o mais teatral e o mais extenso - para a trasladação da peça original."
Fontes
imprensa (consultar o campo Registos); Matos Sequeira, HISTÓRIA DO TEATRO NACIONAL D.MARIA II. vol.2. Lisboa: TNDMII, 1955. p.448-449; Maria João da Rocha Afonso, "As versões portuguesas de King Lear" in João Almeida Flor (coord.), COLÓQUIO SOBRE SHAKESPEARE. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian/Serviço de Animação, Criação Artística pela Arte - Acarte, 1990. pp.65-77; Maria do Céu Saraiva Jorge, SHAKESPEARE E PORTUGAL - Dissertação apresentada pela aluna para a licenciatura em Filologias Germânicas. Lisboa: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 1941; Carlos Malheiro Dias, "Representação do Rei Lear - cap. XXX" in CARTAS DE LISBOA, 1ª série (1904). Lisboa: Livraria Clássica Editora de A.M. Teixeira, 1905, pp. 345-358; João Almeida Pinto, ÂNGELA PINTO - ESBOÇOS, HOMENAGENS E APRECIAÇÕES CRÍTICAS. Lisboa: Livraria Editora, 1906; Maria Virgílio Cambraia LOPES, «Anexo B - índices do teatro nos periódicos de Rafael Bordalo Pinheiro: peças, espectáculos, profissionais, autocaricaturas», in: Rafael Bordalo Pinheiro - imagens e memórias de teatro: um estudo sobre a teatralidade na iconografia bordaliana. Lisboa: Tese de Doutoramento em Estudos Artísticos - Estudos de Teatro, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2009, p. 81