Texto:
Hamlet, tragédia em 5 actos e seis quadros de José António de Freitas [tradução de Hamlet de William Shakespeare ]
Brazão - Hamlet
Carlos Posser - Sombra
João Rosa - Claudio
Augusto Rosa - Laertes
Bravo - Marcello
Baptista Machado - Rosencrantz
Torres - O Rei, Primeiro Cómico
António Pedro - 1º coveiro
Ferreira - Segundo Coveiro, Prólogo
Joaquim Costa - Um Padre
Silva - Um creado
Carolina Falco - Rainha Gertrudes
Rosa Damasceno - Ofélia
Luísa Lopes - A Rainha
Costa - Luciano
et al. - Corte do Rei da Dinamarca, Alabardeiros, Cómicos, Povo
Amélia da Silveira - Ophelia
José António do Vale - Polónio
Augusto Melo - 1º Coveiro
Henrique Alves - Laertes
Augusto Antunes - Polónio, 1ª Coveiro
Alfredo Santos - A Sombra
António Pinheiro - Horácio
Frederico Lagos - Marcello
Francisco Salles - Rozencrantz
Álvaro Cabral - 1º Cómico, O Rei
Carlos Bayard - 2ª Coveiro
Francisco Senna - Um padre, Lucianno
António Silva - Um creado
Luz Velloso - Ofélia
Ferreira da Silva - Horácio, Coveiro
J. Pereira - Prólogo
Cândida de Souza - A Rainha
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| Data de Início | Data de Fim | Local |
|---|---|---|
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18-01-1887 |
TNDMII - Teatro Nacional D. Maria II / Theatro de D. Maria II |
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08-1887 |
08-1887 |
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08-1887 |
08-1887 |
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08-1887 |
08-1887 |
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06-04-1889 |
06-04-1889 |
TNDMII - Teatro Nacional D. Maria II / Theatro de D. Maria II |
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29-04-1890 |
TNDMII - Teatro Nacional D. Maria II / Theatro de D. Maria II |
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30-06-1893 |
02-07-1893 |
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07-1893 |
07-1893 |
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1898 |
1899 |
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15-05-1902 |
15-05-1902 |
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18-10-1903 |
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trata-se da primeira apresentação de "Hamlet" de W. Shakespeare em Portugal, por uma companhia portuguesa; no que diz respeito à versão do texto utilizada, e seguindo o artigo de João Ferreira Duarte (ver fontes), verificamos que há alguns dados a ter em conta: assim, confrontando o "Hamlet" de José António de Freitas, quer na edição de 1887 (1ª ed.) quer na de 1912 (2ª ed.) - que é aparentemente publicado como sendo o texto que é levado a cena pela Companhia Rosas e Brazão, dado que há nele a "distribuição dos personagens da tragédia no Theatro Nacional" - e um manuscrito da peça, titulado "Hamlet, tragédia de W.Shakespeare em 5 actos e 6 quadros, versão do Exmo. Sr. José de António de Freitas", que se encontra na BN - copiado por Cândido Gualdino (ponto da Companhia Rosas e Brazão), com indicação de pertença ao actor Ernesto Valle e datado de 23 de Agosto de 1903 - podemos verificar algumas diferenças; assim, e ainda seguindo o artigo de João Ferreira Duarte (ver fontes), as diferenças acima referidas são as seguintes: no manuscrito: 1- apesar da divisão em Actos e cenas ser mantida, o texto é dividido em 6 quadros, que indicam diferentes espaços cénicos, 2- é dada uma descrição do cenário e dos adereços utilizados em cada "quadro", 3- há didascálias donde se depreendem os movimentos dos actores em palco, 4- as personagens Guildenstern, Francisco, Bernardo, Cornelius, Voltimand, Osrick, Reinaldo, Fortinbras, e outras personagens menores são suprimidas, 5- a cena 1 do 1º Acto é totalmente cortada, 6- a grande parte dos discursos mais extensos são reduzidos, 7- o "Assassínio de Gonzaga" é também ele reduzido, 8- a cena da oração é omitida, 9- não há praticamente qualquer vestígio da conspiração de Claudio contra Hamlet e da sua viagem a Inglaterra, 10- o duelo entre Laertes e Hamlet tem lugar no cemitério, depois do funeral de Ofélia, 11- o episódio do copo envenenado é suprimido, o que leva a Rainha a intervir, desmaiando, 12- a peça acaba nas palavras finais de Hamlet para Horácio; os espaços cénicos dos seis quadros da peça são os seguintes: quadro 1 (Uma sala régia. Ao fundo um grande cano e degraus, à direita baixa um throno), quadro 2 (A explanada do castelo), quadro 3 (Gabinete no castello. Uma mesa à d.b.. com uma cadeira de espaldar. Encostado a e.m. um genoflexo), quadro 4 (Um salão rico. Um palco armado ao fundo, com cortinas. Ao FD um transparente para apparecer a sombra, mas que esteja tapado até esta apparecer, e que feche rápido quando desapparecer. À EM um throno, portas na EA e na DM, ao pe do throno, um tamborete e outro à D um pouco acima.), quadro 5 (a mesma scena do 3ª quadro), quadro 6 (Um cemitério); parte do cenário foi pintada por Cesare Rossi; Augusto Rosa e Eduardo Brazão receberam lições de esgrima do Prof. António Martins; no artigo de João Almeida Flor, referido em fontes, podemos ler o seguinte, em relação aos espectáculos da companhia Rosas e Brazão: "cada espectáculo era preparado com expremos cuidados: coordenados por Augusto Rosa, o figurinista Carlos Cohen e o cenógrafo Luigi Manini executavam os seus trabalhos adequando-os à índole e às exigências da peça."(p.237); é referido, no programa do espectáculo HAMLET (Acarte, 1987), citando uma crítica no Jornal do Comércio: "Deve-se a Brazão a justiça de dizer que compreendeu com alta inteligência o personagem de Hamlet nos momentos em que Hamlet pode ser compreendido por alguém. Sacudiu-me ao vê-lo e ouvi-lo aquele estremecimento misterioso e indefinível com que o "belo" faz vibrar as organizações sensíveis à sua influência, e por um momento rápido, mas inolvidável, eu compreendi o príncipe estranho, o alucinado misterioso, cuja figura mortalmente paira como uma aparição melancólica sobre o espírito de todos os poetas deste século"; o espectáculo foi mandado retirar de cena em 1890(91?), pelo governador civil, o Conde de Paço d'Arcos, a fim de evitar distúrbios populares - é o período do Ultimato Inglês e do mapa cor de rosa; os adereços de Eduardo Brazão para este espectáculo estão patentes no Museu do Teatro (Palácio do Monteiro-Mor); na obra de J.M. Teixeira de Carvalho (ver fontes) podemos ler o seguinte:"A todos lembra a forma superior por que Rosa Damasceno fazia a scena da loucura no Hamlet, a tristeza daquele véu prêto e esfarrapado, caindo em desalinho sobre o vestido branco, os pobres cabelos lisos despenteados, as flores secas do toucado, o seu falar desconexo cortado por risadas a partir como cristal.";
consultar o campo Registos; Mário Jacques & Silva Heitor, OS ACTORES NA TOPONÍMIA DE LISBOA. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa, s/d.; programa do espectáculo HAMLET (Acarte, 1987); Matos Sequeira, HISTÓRIA DO TEATRO NACIONAL D. MARIA II, I vol. Lisboa: TNDMII, 1955.p.385; João Ferreira Duarte, "To play or not to Play Wordplay: Hamlet in Portugal, 1887" in Teresa Seruya (org.), ESTUDOS DE TRADUÇÃO EM PORTUGAL: NOVOS CONTRIBUTOS PARA A HISTÓRIA DA LITERATURA PORTUGUESA. Lisboa: Universidade Católica Editora, 2001; João Almeida Flor, "Shakespeare, Rosas e Brazão" in Comissão Científica do Departamento de Estudos Anglo-Americanos da Faculdade de Letras de Lisboa, MISCELÂNEA DE ESTUDOS DEDICADOS A FERNANDO DE MELLO MOSER. Lisboa: Faculdade de Letras, 1985. pp. 233-246; MEMÓRIAS DE EDUARDO BRASÃO QUE O SEU FILHO COMPILOU E HENRIQUE LOPES DE MENDONÇA PREFACIA. 1º ed. Lisboa: Revista do Teatro L.da Editora, [1924]; Dossier - Arquivo Eduardo Brazão/ cronologia. Presidência do Conselho de Ministros/ Secretaria de Estado da Cultura/ Instituto Português do Património Cultural [arquivo Eduardo Brazão- Museu do Teatro (Lisboa); Joaquim Madureira, IMPRESSÕES DE THEATRO. Lisboa: Ferreira & Oliveira Lda., 1905. p. 443; Bernard Martocq, MANUEL LARANJEIRA ET SON TEMPS (1877-1912). Paris: Fondation Calouste Gulbenkian/Centre Culturel de Paris, 1985. p. 682; arquivo de registos de imprensa - espólio Eduardo Brazão in Museu do Teatro [Lisboa]-(ver registos); imprensa (DN 06/04/1889, DN 28/04/1899); J.M. Teixeira de Carvalho, TEATRO E ARTISTAS, pref. de Joaquim Madureira (Braz Burity). Coimbra: Imprensa da Universidade, 1925,pp.143-144, 299-309; Augusto Rosa, RECORDAÇÕES DA SCENA E DE FÓRA DA SCENA. Lisboa: Livraria Ferreira, 1915; catálogo "100 Anos de Tragédia em Portugal". Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian/ Centro Arte Moderna, 1986